Durante anos, o volume de atendimentos foi tratado como principal explicação para o aumento do custo assistencial em TEA.
Mais crianças, mais sessões, mais despesas — simples assim.
Mas essa leitura é superficial e, em 2026, já se mostra insuficiente e perigosa para operadoras de saúde.
O que realmente diferencia operadoras com custos controlados daquelas sob pressão constante não é o volume.
É como o cuidado é gerido, medido e auditado.
Por que volume é uma métrica fraca
Volume responde apenas “quanto foi feito”, nunca “o que foi entregue”.
Quando a operadora olha apenas para número de sessões, horas contratadas ou guias autorizadas, ela ignora fatores críticos como:
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Redundância terapêutica entre profissionais
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Intervenções sem objetivo clínico claro
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Falta de progressão mensurável
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Atendimentos que consomem recursos, mas não geram ganho funcional
Na prática, duas crianças com o mesmo volume de sessões podem gerar custos completamente diferentes — dependendo da gestão clínica por trás.
Indicadores que realmente importam
Gestão madura de TEA começa quando a operadora troca métricas de volume por indicadores assistenciais e de valor, como:
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Evolução funcional por domínio (comunicação, autonomia, comportamento)
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Carga terapêutica adequada por perfil clínico
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Aderência ao plano terapêutico definido
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Frequência de reavaliações e ajustes de rota
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Correlação entre custo, tempo de intervenção e resultado
Esses indicadores permitem identificar excesso, ineficiência e risco assistencial antes que o custo exploda — ou vire judicialização.
Como medir valor terapêutico
Valor terapêutico não é opinião.
É evidência longitudinal.
Medir valor em TEA exige:
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Protocolos padronizados de avaliação
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Registro estruturado de evolução clínica
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Comparação entre linha de base e desfechos
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Histórico rastreável para auditoria e defesa técnica
Sem isso, qualquer decisão vira subjetiva — e decisões subjetivas custam caro.
Operadoras que conseguem demonstrar valor entregue reduzem conflitos com famílias, fortalecem a auditoria e ganham previsibilidade financeira.
O papel do BI assistencial
É aqui que o BI assistencial deixa de ser acessório e passa a ser estratégico.
Um BI bem estruturado conecta:
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Dados clínicos
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Dados operacionais
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Dados financeiros
Em uma única visão sistêmica.
Com isso, a operadora consegue responder perguntas que realmente importam:
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Onde o custo cresce sem ganho clínico?
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Quais prestadores entregam melhor resultado por real investido?
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Onde ajustar antes que vire passivo jurídico?
Em TEA, quem enxerga cedo, corrige barato.
Conclusão
O custo do TEA não explode por causa do volume.
Explode quando não há gestão, métrica de valor e inteligência assistencial.
Em 2026, insistir apenas em volume é aceitar:
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Ineficiência
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Judicialização
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Perda de controle financeiro
Gestão explica o custo.
E dados bem organizados explicam a gestão.
